Já passava da meia noite e começava o domingo de Páscoa de 2026. Após umas e outras, me dirigi até a Praia da Barra, Barrinha carinhosamente conhecida por todos.
Confesso que de uns tempos pra cá, sempre que posso na noite, tenho ido olhar o céu na beira do mar. O mar me completa. Ele me transforma, me deixa diferente, mais vivo, mais sentimental e mais inteiro.
Lá, tenho visto luzes, mas elas só aparecem quando estou sozinho. São luzes estranhas e até o momento não cheguei a nenhuma explicação. Ainda vou escrever sobre tais luzes.
Neste início de madrugada, haviam pessoas em frente a casinha do salva-vidas, localizada mais próxima ao Morro do Índio. Este, um lugar de muito significado, de muito poder e energia. Localizado na divisa entre a Praia da Ferrugem e a Praia da Barra, o Morro do Índio é um antigo cemitério indígena de mais de 7 mil anos. Teria sido habitado pelos índios Carijós.
As pessoas que ali estavam, aproximadamente uma meia dúzia, estavam ao redor de uma fogueira improvisada.
Ao escutar o som das ondas do mar, me veio a palavra “impermanência”. Não sei ao certo dizer o porquê desta palavra ou sentimento ter chegado até a minha pessoa. Foi quando me senti pequeno na imensidão do céu, estrelas e oceano atlântico, tudo bem na minha frente. Uma sensação de que nada é permanente. Que o que é duradouro, se esvai em segundos, pois temos só mesmo o presente momento do viver, ou seja, o durável na realidade não dura, transforma-se e vai mudando de acordo com os passos que a vida vai apresentando e nós decidimos ou não segui-los.
Ali, sentado na areia, com as pernas esticadas, resolvi fazer o registro .
“A impermanência de existir e saber que até mesmo o som das ondas terá fim...”
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