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terça-feira, 14 de abril de 2026

Aromessência

 


Nada mais pode me produzir tanto sentido que a aromessência! Uma palavra que sequer existe, mas que é dotada de um imenso significado em minha vida.

Moléculas químicas do ar que penetram em nosso sistema olfativo, responsável pela detecção e interpretação de odores. Nele, são captadas partículas que interagem diretamente com os neurônios. E é aí que o bicho pega!

Aroma, essência, perfume ou fragrância. Não existe nada mais significativo que o cheiro. Cheiro de pessoas, de comida, de flores, de terra molhada, de bebês, de maresia, de café, de canela que atrai positividade, de nosso perfume preferido, cheiro de amor, ou seja, cheiros de vida. O cheiro também é algo polarizador. Cheiro bom e cheiro ruim. Aproxima ou afasta e traz boas ou péssimas sensações. Sobre os ruins nem vou falar. E tem até o cheiro de confusão!

O cheiro de vida me encanta, seduz e fascina. Está diretamente ligado ao sentir, ao querer e ao amor. O cheiro influencia o humor e despertam memórias intensas, pois o sistema olfativo é um dos sentidos mais primitivos e está intimamente ligado à regulação de reações físicas e emocionais.

Sentir o cheiro de alguém que gostamos é algo indescritível. É pura química e altera o comportamento de nossos animais internos. Aproxima e faz o sentir profundo. O querer mais. O estar perto. A voracidade de atingir o alto nas percepções e estímulos mais primitivos e potentes de quem sabe o que é sentir alguém. E quando a vida nos priva disso, ele fica guardado na memória, como se caísse num esquecimento fútil, que ao voltarmos a senti-lo, provoca lindas reminiscências.

“Que estejamos atentos aos que decidem viver e eternizar a nossa aromessência”.


sábado, 11 de abril de 2026

Impermanências


Já passava da meia noite e começava o domingo de Páscoa de 2026. Após umas e outras, me dirigi até a Praia da Barra, Barrinha carinhosamente conhecida por todos.

Confesso que de uns tempos pra cá, sempre que posso na noite, tenho ido olhar o céu na beira do mar. O mar me completa. Ele me transforma, me deixa diferente, mais vivo, mais sentimental e mais inteiro.

 Lá, tenho visto luzes, mas elas só aparecem quando estou sozinho. São luzes estranhas e até o momento não cheguei a nenhuma explicação. Ainda vou escrever sobre tais luzes.

Neste início de madrugada, haviam pessoas em frente a casinha do salva-vidas, localizada mais próxima ao Morro do Índio. Este, um lugar de muito significado, de muito poder e energia. Localizado na divisa entre a Praia da Ferrugem e a Praia da Barra, o Morro do Índio é um antigo cemitério indígena de mais de 7 mil anos. Teria sido habitado pelos índios Carijós.

As pessoas que ali estavam, aproximadamente uma meia dúzia, estavam ao redor de uma fogueira improvisada.

Ao escutar o som das ondas do mar, me veio a palavra “impermanência”. Não sei ao certo dizer o porquê desta palavra ou sentimento ter chegado até a minha pessoa. Foi quando me senti pequeno na imensidão do céu, estrelas e oceano atlântico, tudo bem na minha frente. Uma sensação de que nada é permanente. Que o que é duradouro, se esvai em segundos, pois temos só mesmo o presente momento do viver, ou seja, o durável na realidade não dura, transforma-se e vai mudando de acordo com os passos que a vida vai apresentando e nós decidimos ou não segui-los.

Ali, sentado na areia, com as pernas esticadas, resolvi fazer o registro .

“A impermanência de existir e saber que até mesmo o som das ondas terá fim...”




quarta-feira, 25 de março de 2026

Passageiro Castelo de Vento

 


Intenso e efêmero, um louco sentimento fugaz

Transitório, provisório e passageiro carregado de emoções e desejos 

O sonho de construir uma mansão com alicerces emocionais embalados por um profundo torpor de sensações incríveis

O lindo céu azul que contrasta com a tristeza da impermanência

O peso das armaduras mundanas que precisamos tirar do caminho para viver o sufocante momento de um amor finito

Tempo programado dentro de um mundo de infinidades sentimentais

Rápido aprendizado, doloroso e insolúvel

Sabíamos que o céu e o inferno poderiam estar unificados

Que o "melhor" pode conter momentos de dor e ilusão.

E o "pior", ter o gosto do mais querer

Como entender o porquê de ser momentâneo e temporal

Poderíamos acreditar que pequenas coisas nos fazem grandes, mas são incrivelmente difíceis de serem decifradas para tornarem-se infinitas

É quando o mundo vira de costas e tentamos olhar para frente sem distinguir o certo do errado e num passe de mágica tudo se desfaz novamente

Alinhamento para reflexão em busca do sentir-se inteiro e capaz de seguir a caminhada

E no fim, seguimos em busca do castelo de vento,  que abriga o amor de lindos e tristes passageiros


Texto e foto: Rafael Cabeleira

quarta-feira, 11 de março de 2026

A Dança dos Desencontrados

 



Sempre me perdi dentro de ti

Sempre me perdi no teu corpo

Sempre me perdi nos teus braços

Sempre me perdi nos teus olhos

Mas ao mesmo tempo e diante de tudo isso, foi nestes lugares que sempre me encontrei

Tudo mais do que especial

Uma loucura que não precisava findar

Odeio-te por muitas coisas, mas tenho que agradecer por outras tantas.

Senti amor ao estar do teu lado

Senti amor em teu beijo

Senti amor em teu cheiro

Senti amor no gosto do teu corpo

Senti verdadeiras explosões inomináveis

Senti tornar-me um selvagem

Riqueza, sua linda, tanto te quis

Mas não encontrei aí dentro a mesma força pra superar o imponderável, imensidão imensurável de resgatar nosso infinito e terminei aqui, acorrentado em paixão, amor e desejos.