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sexta-feira, 5 de junho de 2026

O Caminho


Muitas vezes, não existe o certo ou o errado.

A vida é apenas um caminho.

Uma linda jornada tracionada pelo coração.

Ele irá nos guiar para onde devemos ir.

No entanto, existe a razão.

Existe o orgulho.

Existem circunstâncias externas.

Existem crenças limitantes.

Existem interesses materiais.

Eis que surge o livre arbítrio.

O erro racional.

E assim esquecemos o que diz o coração.

Das pessoas que conhecemos e que realmente importam nesta intensa caminhada.

Elas poderiam mudar nossa vida e nós a vida delas.

E o tempo nunca estaciona.

Caminhos da razão.

Caminhos do coração.

Caminhos errantes.

A inexistente balança que compreende o errar e acertar.


terça-feira, 19 de maio de 2026

A Folha e o Tempo



Lembro bem do dia em que esta folha surgiu aos meus pés.

Como se uma mensagem pedisse para eu registrar o momento.

Era apenas uma linda folhinha quase que seca em sua totalidade, mas ainda com perceptíveis resquícios de vida.

Ela surgiu na beira do mar, distante de qualquer árvore.

Parecia ter vindo de longe, com a correnteza, que leva e traz, como o fluxo da vida.

Linda folha, que mesmo seguindo adiante e quase por completo sem vida, carregava pontos de esperança.

Hoje, observando a fotografia, percebo que esta folha me faz acreditar, mesmo que a caminhada possa parecer árida, existe algo ainda.

Lembro bem desse lindo dia...

Texto e foto: Rafael Cabeleira 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Aromessência

 


Nada mais pode me produzir tanto sentido que a aromessência! Uma palavra que sequer existe, mas que é dotada de um imenso significado em minha vida.

Moléculas químicas do ar que penetram em nosso sistema olfativo, responsável pela detecção e interpretação de odores. Nele, são captadas partículas que interagem diretamente com os neurônios. E é aí que o bicho pega!

Aroma, essência, perfume ou fragrância. Não existe nada mais significativo que o cheiro. Cheiro de pessoas, de comida, de flores, de terra molhada, de bebês, de maresia, de café, de canela que atrai positividade, de nosso perfume preferido, cheiro de amor, ou seja, cheiros de vida. O cheiro também é algo polarizador. Cheiro bom e cheiro ruim. Aproxima ou afasta e traz boas ou péssimas sensações. Sobre os ruins nem vou falar. E tem até o cheiro de confusão!

O cheiro de vida me encanta, seduz e fascina. Está diretamente ligado ao sentir, ao querer e ao amor. O cheiro influencia o humor e despertam memórias intensas, pois o sistema olfativo é um dos sentidos mais primitivos e está intimamente ligado à regulação de reações físicas e emocionais.

Sentir o cheiro de alguém que gostamos é algo indescritível. É pura química e altera o comportamento de nossos animais internos. Aproxima e faz o sentir profundo. O querer mais. O estar perto. A voracidade de atingir o alto nas percepções e estímulos mais primitivos e potentes de quem sabe o que é sentir alguém. E quando a vida nos priva disso, ele fica guardado na memória, como se caísse num esquecimento fútil, que ao voltarmos a senti-lo, provoca lindas reminiscências.

“Que estejamos atentos aos que decidem viver e eternizar a nossa aromessência”.


sábado, 11 de abril de 2026

Impermanências


Já passava da meia noite e começava o domingo de Páscoa de 2026. Após umas e outras, me dirigi até a Praia da Barra, Barrinha carinhosamente conhecida por todos.

Confesso que de uns tempos pra cá, sempre que posso na noite, tenho ido olhar o céu na beira do mar. O mar me completa. Ele me transforma, me deixa diferente, mais vivo, mais sentimental e mais inteiro.

 Lá, tenho visto luzes, mas elas só aparecem quando estou sozinho. São luzes estranhas e até o momento não cheguei a nenhuma explicação. Ainda vou escrever sobre tais luzes.

Neste início de madrugada, haviam pessoas em frente a casinha do salva-vidas, localizada mais próxima ao Morro do Índio. Este, um lugar de muito significado, de muito poder e energia. Localizado na divisa entre a Praia da Ferrugem e a Praia da Barra, o Morro do Índio é um antigo cemitério indígena de mais de 7 mil anos. Teria sido habitado pelos índios Carijós.

As pessoas que ali estavam, aproximadamente uma meia dúzia, estavam ao redor de uma fogueira improvisada.

Ao escutar o som das ondas do mar, me veio a palavra “impermanência”. Não sei ao certo dizer o porquê desta palavra ou sentimento ter chegado até a minha pessoa. Foi quando me senti pequeno na imensidão do céu, estrelas e oceano atlântico, tudo bem na minha frente. Uma sensação de que nada é permanente. Que o que é duradouro, se esvai em segundos, pois temos só mesmo o presente momento do viver, ou seja, o durável na realidade não dura, transforma-se e vai mudando de acordo com os passos que a vida vai apresentando e nós decidimos ou não segui-los.

Ali, sentado na areia, com as pernas esticadas, resolvi fazer o registro .

“A impermanência de existir e saber que até mesmo o som das ondas terá fim...”




quarta-feira, 25 de março de 2026

Passageiro Castelo de Vento

 


Intenso e efêmero, um louco sentimento fugaz

Transitório, provisório e passageiro carregado de emoções e desejos 

O sonho de construir uma mansão com alicerces emocionais embalados por um profundo torpor de sensações incríveis

O lindo céu azul que contrasta com a tristeza da impermanência

O peso das armaduras mundanas que precisamos tirar do caminho para viver o sufocante momento de um amor finito

Tempo programado dentro de um mundo de infinidades sentimentais

Rápido aprendizado, doloroso e insolúvel

Sabíamos que o céu e o inferno poderiam estar unificados

Que o "melhor" pode conter momentos de dor e ilusão.

E o "pior", ter o gosto do mais querer

Como entender o porquê de ser momentâneo e temporal

Poderíamos acreditar que pequenas coisas nos fazem grandes, mas são incrivelmente difíceis de serem decifradas para tornarem-se infinitas

É quando o mundo vira de costas e tentamos olhar para frente sem distinguir o certo do errado e num passe de mágica tudo se desfaz novamente

Alinhamento para reflexão em busca do sentir-se inteiro e capaz de seguir a caminhada

E no fim, seguimos em busca do castelo de vento,  que abriga o amor de lindos e tristes passageiros


Texto e foto: Rafael Cabeleira

quarta-feira, 11 de março de 2026

A Dança dos Desencontrados

 



Sempre me perdi dentro de ti

Sempre me perdi no teu corpo

Sempre me perdi nos teus braços

Sempre me perdi nos teus olhos

Mas ao mesmo tempo e diante de tudo isso, foi nestes lugares que sempre me encontrei

Tudo mais do que especial

Uma loucura que não precisava findar

Odeio-te por muitas coisas, mas tenho que agradecer por outras tantas.

Senti amor ao estar do teu lado

Senti amor em teu beijo

Senti amor em teu cheiro

Senti amor no gosto do teu corpo

Senti verdadeiras explosões inomináveis

Senti tornar-me um selvagem

Riqueza, sua linda, tanto te quis

Mas não encontrei aí dentro a mesma força pra superar o imponderável, imensidão imensurável de resgatar nosso infinito e terminei aqui, acorrentado em paixão, amor e desejos.

  

terça-feira, 18 de julho de 2023

Uma escada para a evolução




 

Eu sempre achei que não ficaria muito tempo por aqui. Confesso acreditar que tenha superado minha própria expectativa. Se fiz mal para alguém, não foi intencional. O horizonte que vislumbrava era esplendoroso. O caminho percorrido até ele, assim como o resultado, nem tanto. O melhor de mim vai ficar em meus descendentes e amores, sangue do meu sangue, Rafael e Fernanda. O meu maior amigo, mesmo com dificuldades em aceitar suas criticas e verdades, sempre foi e será quem mais por mim fez na vida, meu amado pai Fernando. A  pessoa mais incrível foi minha avó materna Noemy.  O lugar onde me senti mais em sintonia com a vida, o mar.

Da cozinha, do assado, do mate, da granola, do vinho, da cerveja, do fernet, dos doces, prazeres que juntam-se ao esporte, a música, a politica e a religião. Mais amei o surfe do que o tenha bem praticado. No futebol me saí um pouco melhor. No jornalismo realizei o sonho de ter sido repórter esportivo por um período e ali ter feito grandes amigos. Na politica percebi o quanto amava meu país em cores verde e amarelo. Sobre a música, na bateria fiz o meu melhor. Na religião conheci a luz.

Quero ser cremado. Não quero estar de traje e sim com a camisa do meu Internacional. Na solenidade, quero que seja servido vinho e chopp ao som dos álbuns do AC/DC. Minhas cinzas serão motivo de uma peregrinação para despejo em quatro locais na seguinte ordem. A primeira no mar do Imbé, em frente a rua Castelo Branco. A segunda no mar de Canasvieiras, em frente a rua  José Daux. A terceira nas aguas da Barrinha em frente a pedra da fenda no Morro do Índio. Por fim no pátio de minha casa na Encantada, se ainda estiver de posse da família. Caso contrário, na cachoeira da Encantada.  

Os amores que conquistei e vivi, assim como os que sonhei e não conquistei irão comigo no coração. Agradecimento generoso ao mundo espiritual que com suas falanges estiveram a me guiar. Deixem minhas redes sociais ativas. Ficarei por aqui o tempo que nosso grande pai Oxalá determinar, mas gostaria de deixar esse breve relato após cinquenta anos. Agradecimento ao meu pai Fernando, mãe Noemi, irmã Micaela, filhos Rafael e Fernanda. Aos verdadeiros amigos, digo que valeu por tudo.

Aos demais, muito obrigado. 

Foto e texto: Rafael Cabeleira